Robert Kirkman volta aos super-heróis com Terminal, um novo universo marcado por violência, poder e conflito



Depois de anos longe do gênero que ajudou a redefinir, Robert Kirkman anuncia seu retorno aos super-heróis com Terminal, nova série da Skybound em parceria com a Image Comics. O lançamento está previsto para julho de 2026 e deixa claro, desde o início, que não se trata de uma celebração ingênua do heroísmo clássico, mas de um mergulho em um mundo onde poder, violência e moralidade entram em choque permanente.

O projeto reúne um time de peso: roteiro de Kirkman ao lado de Joe Casey, com artes de Andy Kubert, David Finch e Arthur Adams. As cores ficam por conta de Dave McCaig. O primeiro número chega às lojas especializadas no dia 22 de julho de 2026.

Para além do marketing inflado e dos discursos entusiasmados comuns nesses anúncios, Terminal chama atenção pela proposta narrativa. A série se passa em meio a um conflito global secreto entre duas facções de super-humanos extremamente violentas, cuja guerra silenciosa dissolve qualquer fronteira clara entre heróis e vilões. Não existe lado “certo” quando todos operam à margem da ética e da transparência.

A trama acompanha Marilyn Howe, uma mulher comum que busca respostas sobre o desaparecimento da irmã, Alessandra. Essa investigação pessoal acaba revelando algo maior: um sistema de poder subterrâneo que se sustenta na força, no sigilo e na manipulação genética. Ao descobrir que carrega em seu próprio corpo a chave para esse conflito, Marilyn se vê diante de uma transformação que pode salvar o mundo ou destruí-la completamente. O discurso é conhecido, mas aqui ganha contornos mais sombrios: o corpo como campo de batalha, a genética como instrumento político e o indivíduo esmagado por estruturas muito maiores do que ele.

No Manifesto do Caos, esse tipo de abordagem interessa justamente por desmontar a fantasia liberal do “super-herói salvador”. Terminal parece caminhar na direção oposta do escapismo clássico, apostando em um universo onde o poder não emancipa, mas corrompe; onde a violência não resolve contradições sociais, apenas as aprofunda. É um retrato bastante alinhado ao nosso tempo: guerras invisíveis, conflitos travados longe do olhar público e decisões que impactam milhões sendo tomadas por poucos.

O retorno de Kirkman aos super-heróis também carrega um peso simbólico. Depois de Invincible, obra que já questionava o mito do herói incorruptível, Terminal promete ir ainda mais fundo, abandonando qualquer verniz de idealismo. Aqui, heróis e monstros coexistem, muitas vezes ocupando o mesmo espaço.

O primeiro número da série contará ainda com um esquema de “blind bags”, oferecendo capas variadas e itens surpresa, estratégia que dialoga tanto com o colecionismo quanto com a lógica de mercado que transforma tudo em produto, inclusive a violência estilizada.

Descrita como uma épica de super-heróis brutal e imprevisível, Terminal surge como mais um exemplo de como os quadrinhos contemporâneos continuam sendo um espaço fértil para discutir poder, controle e as consequências sociais da força concentrada. Resta saber se o público está preparado para encarar um universo onde o heroísmo não é solução, mas parte do problema.




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