X-Men: Das Cinzas – O renascimento mutante depois do paraíso perdido


 

Depois do fim da Era Krakoa, os mutantes mais famosos da Marvel precisam se reinventar. O título da nova fase, X-Men: Das Cinzas, não é à toa: marca o colapso do sonho de um paraíso para o homo superior e sugere, em tom quase mitológico, o renascimento da equipe como uma Fênix – trocadilho inevitável com Jean Grey.

Essa nova etapa das HQs se divide em diferentes títulos, mas dois deles se destacam: X-Men, de Jed MacKay com artes de Ryan Stegman, e Fabulosos X-Men, escritos por Gail Simone e desenhados por David Márquez.

X-Men – Ciclope à frente de uma nova resistência

Liderados por Ciclope, os X-Men agora contam com Fera, Magneto, Psylocke, Kid Ômega, Temper, Magia e Fanático. O grupo se estabeleceu em Maine, no Alasca, reaproveitando uma antiga fábrica de Sentinelas como base. É um começo melancólico, marcado pela perda de Krakoa, mas também carregado de energia de reconstrução.

Logo de cara, a equipe descobre algo intrigante: a manifestação do gene-X em adultos, e não mais na puberdade, como sempre aconteceu. Essa mudança alimenta tanto esperanças quanto medos. Em tempos de fake news, não demora para surgir a narrativa tóxica de que a “doença” mutante agora seria contagiosa.

Se isso não bastasse, o antigo Instituto Xavier passa às mãos de Corina Ellis, uma ex-podcaster obcecada em eliminar mutantes. No lugar, ela ergue a Prisão Greymalkin, um símbolo perverso de encarceramento e controle social.

Fabulosos X-Men – mistério e tensão na Louisiana

Já os Fabulosos X-Men, liderados por Vampira, contam com Gambit, Wolverine, Noturno e Jubileu. O grupo parte do último desejo de um jovem mutante telepata: antes de morrer, ele avisa sobre a chegada de uma entidade capaz de exterminar toda a raça mutante.

Baseados na Louisiana, eles se deparam com um grupo de jovens perseguidos por um ser monstruoso, o que adiciona mistério e um tom mais sombrio à narrativa. A química entre Vampira, Gambit e os demais personagens dá ao arco uma identidade própria, contrastando com o estilo mais “massavéio” da equipe de Ciclope.

Uma leitura leve, acessível e promissora

Se a fase Krakoa, iniciada por Jonathan Hickman, era conhecida por sua burocracia criativa – esquemas, linhas temporais complexas e interligações densas –, MacKay e Simone seguem o caminho oposto. Eles entregam histórias divertidas, acessíveis, sem exigir do leitor um dossiê completo sobre cada personagem. É HQ no melhor sentido: fluida, envolvente e com espaço para novos leitores e veteranos.

Vale destacar também o acerto editorial da Panini: trazer essas histórias em edições brochura, com preço acessível. Quadrinho precisa ser lido, estar nas mãos do público, e não se limitar às edições de luxo capa dura reservadas às estantes dos colecionadores.

Conclusão

O saldo inicial de X-Men: Das Cinzas é extremamente positivo. Depois do experimentalismo pesado da Era Krakoa, temos novamente os mutantes em histórias honestas, cheias de ação, mistério e emoção. É um retorno ao espírito que conquistou leitores nos anos 90: os X-Men sendo, de novo, aquela equipe bacanuda que mistura drama, heroísmo e carisma.

É quadrinho sendo quadrinho — simples, direto e irresistível.



 

Postar um comentário