A Marvel Comics começou a soltar pistas, e elas não são nada sutis: a atual fase do Hulk está rumando para um choque de proporções sísmicas. Prevista para culminar em 2027, a chamada Hulk War promete encerrar a longa e perturbadora saga do chamado Hulk Infernal, construída por Phillip Kennedy Johnson e Nic Klein.
Desde o início dessa fase, o que se viu não foi apenas mais uma reformulação do personagem, mas uma mudança radical de gênero e linguagem. O Hulk deixou de ser somente força bruta e passou a ocupar o território do horror cósmico, do mito ancestral e do terror corporal. O Gigante Esmeralda já não é apenas um “problema dos Vingadores”, mas algo muito mais profundo e antigo, um verdadeiro erro primordial caminhando pelo Universo Marvel.
A própria editora descreve o momento atual como uma escalada inevitável. O discurso interno é claro: o Universo Marvel está se preparando para lidar com a “raiva infernal do Hulk”? E isso não é força de expressão. Ao longo de mais de trinta edições, Johnson construiu uma mitologia própria, introduzindo entidades como a Mãe de Horrores e reposicionando o Hulk como uma força que precede a própria civilização.
Em entrevistas recentes, o roteirista deixou evidente que essa ampliação de escala sempre fez parte do plano. O chamado “Ato Dois” da saga marca justamente o momento em que o Hulk deixa de ser uma ameaça localizada e passa a entrar no radar das maiores potências do universo. Não por acaso, os conflitos começaram a se expandir.
Já vimos choques diretos com figuras centrais como Homem de Ferro e com os mutantes dos X-Men. Ao mesmo tempo, Bruce Banner praticamente abandona o controle da criatura, abrindo espaço para algo que não pode mais ser contido por ciência, tecnologia ou força militar. O monstro que emerge não responde mais à lógica do herói trágico clássico; ele se aproxima de uma entidade punitiva, quase apocalíptica.
É nesse ponto que a Hulk War ganha contornos políticos e simbólicos interessantes. Quando o conflito deixa de ser individual e passa a envolver “os líderes do Universo Marvel”, a pergunta deixa de ser “como derrotar o Hulk” e passa a ser “quem tem legitimidade para contê-lo”. O Hulk Infernal não é apenas uma ameaça física, mas um espelho distorcido de um sistema que sempre tentou controlar a força pela violência institucional.
Do ponto de vista narrativo, tudo indica que a Guerra do Hulk será o acerto de contas final dessa construção lenta e meticulosa. Se até aqui a saga foi sobre mito, horror e escalada, o que vem pela frente soa como colapso. Não apenas de cidades ou equipes, mas de certezas antigas sobre o que o Hulk representa dentro da Marvel.
A editora promete revelar mais detalhes nos próximos meses, mas o recado já foi dado. Quando a GUERRA DO HULK começar, em 2027, o Universo Marvel não sairá ileso. E talvez nem devesse.

