Castlevania volta às sombras: Belmont’s Curse aposta no passado para falar com o presente


Após anos de silêncio, a lendária linhagem Belmont retorna em Castlevania: Belmont's Curse, o novo capítulo da franquia previsto para 2026. Entre ruínas profanadas e o renascer de uma antiga maldição, o chicote sagrado ecoa mais uma vez contra as trevas que ameaçam consumir o mundo.

Durante o PlayStation State of Play de 12 de fevereiro de 2026, a Konami tirou o chicote da gaveta e lembrou ao mundo que Castlevania ainda respira. Castlevania: Belmont’s Curse foi apresentado como um jogo de ação 2D, com lançamento previsto para PlayStation 5 ao longo de 2026, desenvolvido em parceria com a Evil Empire e a Motion Twin.

A escolha do formato não é casual. Em vez de tentar competir com superproduções 3D, Belmont’s Curse retorna ao terreno onde a franquia construiu sua identidade: ação lateral, exploração e precisão. Um movimento que soa menos como nostalgia vazia e mais como leitura de mercado, especialmente depois da valorização recente dos metroidvanias e dos jogos de dificuldade elevada.

O trailer exibido no evento deixa claro o tom: um mundo gótico, opressivo e violento, ambientado em uma versão sombria da Paris do ano de 1499. Ruas em chamas, sinos fúnebres, arquitetura religiosa esmagadora e criaturas que parecem ter saído direto do imaginário medieval europeu. Nada de castelos genéricos apenas por tradição: a cidade em colapso faz parte do conflito.

Um Belmont em meio ao caos

A narrativa coloca o jogador no controle de um herdeiro da linhagem Belmont, descendente direto de Trevor Belmont, em um momento em que forças sobrenaturais tomam a cidade e ameaçam arrastá-la para a ruína completa. O castelo que domina Paris não é apenas cenário, mas símbolo de poder, medo e controle, algo bem familiar para quem acompanha a série desde seus primeiros jogos.

A ambientação histórica não busca fidelidade acadêmica, mas sim atmosfera. O passado funciona como alegoria: uma cidade sitiada, abandonada à própria sorte, enquanto monstros circulam livremente. Castlevania sempre foi mais eficiente quando fala de decadência social usando vampiros como metáfora, e tudo indica que esse caminho está sendo retomado.

Chicote, aço e precisão

No centro da jogabilidade está o velho conhecido: o chicote sagrado dos Belmont. Ele não serve apenas para atacar. Segundo o material apresentado, a arma também é usada para locomoção, permitindo balançar entre plataformas, alcançar áreas elevadas e manter o ritmo acelerado da exploração.

O combate privilegia leitura de cenário, tempo de reação e posicionamento. Enfrentar múltiplos inimigos exige antecipação, não força bruta. Além do chicote, uma espada já foi mostrada, indicando que o jogo trabalhará com variação de armas e estilos, embora detalhes sobre progressão ainda não tenham sido aprofundados.

Tudo aponta para uma estrutura metroidvania 2D, fiel às bases clássicas da franquia, mas com animações mais fluidas e um ritmo de ação claramente influenciado por jogos contemporâneos do gênero.

Castlevania entende seu tempo?

Belmont’s Curse surge em um momento curioso: quando grandes franquias tentam se reinventar olhando para trás. Se o projeto vai além do apelo nostálgico ou se limita a reciclar fórmulas ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa é clara: ao invés de negar sua própria história, Castlevania parece finalmente aceitá-la como arma.

E, em tempos de caos, retornar às raízes pode ser menos conservador do que parece.



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