Criador de Samurai Jack e Primal finalmente realiza um projeto que tenta desenvolver desde 2008 e promete devolver ao cimério a brutalidade e a profundidade que marcaram sua origem literária.
Poucos personagens da fantasia carregam uma influência tão grande quanto Conan, o Bárbaro. Criado por Robert E. Howard em 1932, o cimério atravessou gerações, inspirou filmes, quadrinhos, jogos e praticamente ajudou a definir o gênero de espada e feitiçaria como o conhecemos hoje. Agora, após anos de tentativas frustradas de revitalização, o guerreiro ganha uma nova oportunidade de conquistar o público moderno. E talvez nunca tenha estado em mãos tão competentes.
Durante o Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, foi revelado que Genndy Tartakovsky está desenvolvendo uma série animada de Conan para o Prime Video. O projeto, intitulado Genndy Tartakovsky's Conan the Barbarian: Queen of the Black Coast, terá o criador de Samurai Jack e Primal como showrunner e produtor executivo.
A produção é uma parceria entre o Prime Video e o Cartoon Network Studios, responsável pela animação. Também participam da equipe executiva Darrick Bachman, Fred Malmberg e Mark Wheeler.
Segundo a sinopse oficial, a história acompanhará um Conan já marcado por inúmeras batalhas que encontra o amor na lendária rainha pirata Bêlit. Quando uma feitiçaria sombria ameaça destruir tudo ao seu redor, o guerreiro embarca em uma jornada contra deuses, o destino e até mesmo a própria morte para salvá-la.
Para os fãs do personagem, a escolha de Rainha da Costa Negra não poderia ser mais acertada. O conto original é considerado uma das narrativas definitivas de Conan, combinando aventura, romance, tragédia e elementos sobrenaturais que ajudaram a consolidar a mitologia do personagem.
Mas o grande destaque aqui não é apenas Conan. É Genndy Tartakovsky.
Segundo informações divulgadas durante o evento, o animador revelou que tenta tirar uma série animada do bárbaro do papel desde 2008. A ideia ficou em espera enquanto ele se dedicava a projetos como a temporada final de Samurai Jack e, principalmente, Primal, obra que demonstrou como sua linguagem visual pode transformar violência, ação e emoção em narrativa pura.
E é justamente por isso que a notícia chama atenção.
Durante décadas, Conan foi frequentemente reduzido à imagem simplificada do guerreiro musculoso que resolve tudo na força bruta. Howard, porém, escrevia algo muito mais complexo: um personagem que atravessava impérios decadentes, enfrentava tiranos, sacerdotes e criaturas ancestrais em um mundo onde a civilização muitas vezes aparecia como sinônimo de corrupção e poder concentrado.
Sob a direção de Tartakovsky, existe a chance de recuperar essa dimensão mais brutal, melancólica e até filosófica da obra. Quem assistiu Primal sabe que o diretor entende como poucos a importância do silêncio, da violência como linguagem narrativa e da construção de mundos hostis que moldam seus protagonistas.
No fundo, Conan sempre foi um personagem sobre sobrevivência. Um homem livre tentando encontrar seu lugar em um mundo dominado por reis, magos, impérios e deuses que insistem em controlar a vida das pessoas. Não por acaso, continua relevante quase um século após sua criação.
Ainda não existe previsão de estreia para a série. Mas se existe alguém capaz de fazer justiça ao legado do bárbaro cimério, esse alguém é Genndy Tartakovsky.
E, pela primeira vez em muito tempo, Conan parece estar retornando não como uma marca nostálgica, mas como uma obra que ainda tem algo a dizer.

