Terminal: Kirkman resgata o espírito caótico dos super-heróis dos anos 90

 


Robert Kirkman está de volta aos quadrinhos de super-heróis. Ao lado de Joe Casey, o criador de The Walking Dead e Invincible apresenta Terminal, nova série da Image Comics/Skybound que aposta em uma combinação bastante familiar: superpoderes, conspiração, violência, genética e duas forças aparentemente opostas disputando o destino do planeta.

Na história, uma guerra secreta é travada ao redor do mundo por duas organizações formadas por indivíduos com habilidades sobre-humanas. É nesse conflito que Marilyn Howe acaba envolvida enquanto procura por sua irmã desaparecida, Alessandra. A busca rapidamente revela que existe algo muito maior por trás do desaparecimento e que o poder necessário para enfrentar essa guerra pode estar escondido no próprio código genético dos personagens.

A premissa, pelo menos neste primeiro momento, não chega a ser revolucionária. E talvez essa seja justamente uma das características mais interessantes de Terminal.

Uma viagem aos anos 1990

Ao terminar a primeira edição, a sensação mais evidente é a de ter reencontrado aquele espírito exagerado dos quadrinhos de super-heróis dos anos 1990. A influência de grupos como os X-Men é bastante perceptível, tanto na construção das equipes quanto na ideia de personagens com poderes extraordinários sendo recrutados para participar de um conflito muito maior.

Há também uma forte lembrança da própria Image Comics de sua primeira fase. Quem acompanhou séries como Youngblood e Cyberforce provavelmente reconhecerá rapidamente a atmosfera: personagens superpoderosos, conceitos genéticos, organizações misteriosas, violência gráfica e uma preocupação quase inexistente em economizar no espetáculo.

Mas Terminal não parece simplesmente uma tentativa de reproduzir aquele período. Kirkman utiliza esses elementos conhecidos como ponto de partida para construir uma história que, pelo menos neste primeiro número, parece estar interessada em brincar com as convenções do gênero.

E quando falamos em Kirkman, a violência e a imprevisibilidade também não poderiam ficar de fora.

O roteiro tem aquele ritmo característico do autor, em que uma situação aparentemente convencional pode rapidamente tomar um rumo inesperado. A primeira edição apresenta duas forças em conflito e deixa a impressão de que existe uma verdadeira corrida pelo recrutamento de novos personagens. Ainda não sabemos exatamente quais são os objetivos de cada grupo ou até onde essa disputa vai chegar, mas é justamente essa falta de respostas que cria a expectativa para os próximos capítulos.

O peso da arte

Visualmente, Terminal também abraça completamente sua proposta.

Andy Kubert assume a arte da primeira edição e entrega um trabalho que combina perfeitamente com essa estética de super-heróis grandiosa e carregada de referências aos anos 1990. O desenho tem energia, movimento e aquele senso de espetáculo típico das grandes histórias de equipes superpoderosas.

A participação de nomes como David Finch e Arthur Adams também reforça a proposta visual da série: Terminal claramente quer ser um grande gibi de super-heróis, daqueles em que cada página precisa parecer maior do que a anterior.

E funciona.

Ainda é cedo para julgar

O grande problema — ou talvez a grande vantagem — é que a primeira edição ainda não permite saber exatamente o que Kirkman e Casey pretendem fazer com tudo isso.

Existem boas ideias, personagens intrigantes e uma premissa que pode crescer bastante, mas ainda estamos diante de uma história que está montando suas peças. Seria precipitado afirmar que Terminal está reinventando o gênero ou que encontrou uma nova fórmula para os super-heróis.

Por enquanto, o que temos é uma primeira edição divertida, violenta e visualmente muito competente, que parece saber exatamente de onde veio.

E isso não é pouca coisa.

Terminal pode acabar se tornando uma grande história de super-heróis ou simplesmente uma divertida viagem nostálgica pela estética dos anos 1990. Ainda precisamos de algumas edições para descobrir. Mas, depois desse primeiro número, existe uma coisa que já dá para afirmar: Kirkman conseguiu despertar a curiosidade.

Agora é esperar os próximos capítulos para descobrir se toda essa violência, conspiração e superpoderes vão resultar em algo realmente novo ou se Terminal será, acima de tudo, uma grande celebração do gibi de super-heróis à moda antiga.

Por enquanto?

Gibi massavéio.

 


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